RECLAMAÇÃO X DIFAMAÇÃO NAS REDES SOCIAIS: COMO EVITAR DANOS À REPUTAÇÃO DO SEU NEGÓCIO DIGITAL

RECLAMAÇÃO X DIFAMAÇÃO NAS REDES SOCIAIS: COMO EVITAR DANOS À REPUTAÇÃO DO SEU NEGÓCIO DIGITAL

No digital, a reputação é um dos ativos mais valiosos que um negócio pode ter.

Um comentário negativo num post, um story de “ex-aluno” insatisfeito, um vídeo no TikTok ou um thread no X (antigo Twitter) podem, em poucas horas, derrubar vendas, afastar parceiros, gerar pedidos de reembolso em massa e manchar a imagem que você levou anos para construir.

Ao mesmo tempo, a gente vive numa era em que todo mundo tem voz. Clientes reclamam, compartilham experiências, elogiam, criticam, indicam e desindicam.

E é aqui que entra uma linha muito importante, que muita gente não enxerga com clareza:

Onde termina a reclamação legítima e onde começa a difamação?

Neste artigo, eu vou te mostrar, de forma prática, a diferença entre reclamação e difamação nas redes sociais, por que isso é especialmente sensível em negócios digitais e o que você, como empresário ou empresária do marketing digital, pode fazer para se proteger juridicamente.

Se, enquanto você lê, já lembrar de algum caso concreto que aconteceu com você ou com alguém que você conhece, vale considerar ter uma assessoria jurídica especializada em negócios digitais para te orientar antes de qualquer reação impulsiva.

Reclamação x Difamação: qual é a diferença?

Vamos começar pelo básico, sem juridiquês desnecessário.

O que é uma reclamação legítima?

Reclamação é a manifestação de insatisfação de um cliente em relação a um produto ou serviço.

Ela pode acontecer:

  1. em canais oficiais de atendimento (SAC, e-mail, suporte),
  2. em plataformas como Reclame Aqui,
  3. ou até em comentários e mensagens nas redes sociais.


A reclamação, em si, não é ilegal. Pelo contrário: faz parte da relação de consumo.

O problema não é o cliente dizer que não gostou, que não recebeu o que esperava ou que teve uma experiência ruim. O ponto é como isso é feito.

Uma reclamação legítima normalmente se baseia em fatos, descreve o que aconteceu, não inventa ou exagera situações, não usa xingamentos ou ataques pessoais, não expõe dados sigilosos.

Como é o shape da reclamação legítima no contexto de negócios digitais:

“Comprei o curso e não recebi o acesso no prazo informado.”

“O suporte não responde meu e-mail há mais de 7 dias.”

“O conteúdo do curso não corresponde ao que foi prometido na página de vendas.”

Você, como dono de negócio, pode (e deve) olhar para isso como oportunidade de melhoria e de relacionamento. É desconfortável, mas faz parte do jogo.

O que é difamação (e outras figuras penais)?

Já a difamação é outra história.

De forma simples, difamação é atribuir a alguém um fato ofensivo à sua reputação.
Além dela, temos também:

Calúnia: atribuir falsamente um crime a alguém;

Injúria: ofender a dignidade ou o decoro de alguém (xingamentos, por exemplo).

No ambiente das redes sociais, isso aparece de várias formas, como chamar uma empresa ou expert de “golpista”, “fraudador”, “estelionatário” sem prova. Dizer que “ninguém recebe o que compra”, quando isso não é verdade, editar prints de conversas para distorcer a realidade, e gravar vídeos acusando o negócio de crime, sem qualquer base.

Aqui, a gente já não está mais falando de “direito de reclamar”.
Estamos falando de ataque à reputação, que pode gerar responsabilidade civil (indenização) e até criminal.

A liberdade de expressão existe, mas ela não é licença para destruir a imagem de pessoas e empresasQuando falamos de empresas, estamos tratando de honra objetiva, ou seja, da reputação, da forma como o negócio é visto pelo público.

Por isso, a empresa não é vítima de injúria (que atinge a honra subjetiva, ligada ao sentimento pessoal), mas pode ser vítima de difamação, quando alguém atribui a ela fatos que ofendem sua imagem no mercado.

Por que isso é tão grave em negócios digitais?

Negócios digitais vivem de autoridade, prova social, comunidade, recorrência, parcerias (coproduções, afiliados, agências, gestores de tráfego). Quando a reputação é atacada publicamente, o impacto costuma ser muito maior do que em negócios tradicionais, porque o conteúdo se espalha rápido:

  • o algoritmo impulsiona polêmica;
  • prints e vídeos são compartilhados em grupos, comunidades e bastidores;
  • parceiros e potenciais clientes veem aquilo fora de contexto.


Algumas consequências práticas de um ataque à reputação no digital são a queda brusca nas vendas de um lançamento; aumento de pedidos de reembolso, cancelamento de contratos com coprodutores, afiliados ou agências, bloqueio de contas em plataformas de pagamento ou de infoprodutos e a dificuldade para fechar novas parcerias.

Muitas vezes, um único conteúdo malicioso, se não for tratado da forma correta, pode gerar um prejuízo financeiro muito maior do que o valor de uma ação judicial. Por isso, prevenção e reação estratégica são fundamentais. O que o dono de negócio digital pode fazer na prática A melhor forma de lidar com crise é ter uma estrutura jurídica preparada antes dela acontecer. Isso passa por ter contratos bem elaborados com colaboradores, coprodutores, mentorados, etc.

Um dos primeiros passos para um negócio digital é justamente fazer um diagnóstico jurídico do negócio e estruturar ou revisar esses contratos e políticas, pra que você não fique exposto em situações de crise.

Quando surge uma reclamação pública

Reclamações vão acontecer. O ponto é como você reage.

Algumas orientações importantes:

  1. Evite reagir no impulso, responder com raiva ou ironia.
  2. Não saia apagando tudo automaticamente (isso pode piorar a percepção).
  3. Responda de forma profissional, objetiva e respeitosa.
  4. Mostre que existe um canal oficial de suporte e se disponha a resolver.


E, quando você tem contratos e políticas bem feitos, fica muito mais fácil conduzir essa conversa com segurança. Em muitos casos, uma boa notificação, bem fundamentada, resolve o problema de forma mais rápida e menos desgastante. É fundamental ter orientação jurídica pra não agir de forma precipitada e acabar piorando a situação.

Conclusão

Reclamar é um direito do consumidor. Difamar, não.

No ambiente das redes sociais, essa linha muitas vezes é ultrapassada sem que as pessoas percebam o tamanho do dano que podem causar, e, no caso de negócios digitais, esse dano costuma ser rápido, amplo e profundo.

Se você já passou por alguma situação de exposição nas redes ou quer se blindar antes que isso aconteça, busque assessoria jurídica especializada e proteja o seu negócio digital.